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Quando o Scrum surgiu, no início da década de 90, não existia o Scrum Master. Os princípios e técnicas do Scrum já podiam ser vistos em projetos liderados por Ken Schwaber e Jeff Sutherland ao redor do mundo, mas só mais tarde é que eles notaram que, a menos que existisse um profissional dedicado a garantir não apenas a continuidade mas a melhoria contínua dos processos, as transformações causadas pela introdução dos métodos ágeis nas empresas não perduraria.

O nome Scrum Master é uma alusão aos jogos de RPG tão populares desde a década de 70 principalmente entre os profissionais de tecnologia. Em tais jogos, o Dungeon Master (ou Game Master) é o senhor das regras do jogo, um papel que facilita as dinâmicas para que o jogo aconteça de maneira proveitosa para todos envolvidos, com a dose certa de desafio, recompensas e adaptação constante. Apesar de possuir poderes para aplicar e mudar regras, o Dungeon Master não é um tirano, mas um líder-servidor,que atua em prol do grupo de jogadores para que todos tenham sucesso em seu objetivo: se divertir.

De forma análoga, o Scrum Master é o senhor do Scrum. Ele é o indivíduo que domina as regras contidas no Guia do Scrum e tem como missão principal garantir seu cumprimento por todos, não apenas dentro do time mas na organização inteira. O Scrum Master é um líder-servidor que puxa a melhoria contínua e auxilia o time na obtenção dos melhores resultados possíveis através da remoção de impedimentos e promoção de novas práticas e técnicas que aproximem mais o time dos objetivos esperados.

Cabe ao Scrum Master ser o mentor/coach/professor de todos no que tange o Scrum, cabe a ele garantir que todas cerimônias, papéis e artefatos estejam presentes e respeitados. Geralmente é tarefa dele também conduzir todas as cerimônias, como um árbitro e um facilitador ao mesmo tempo, até que o time consiga entrar em sincronia para conseguirem conduzirem as mesmas por conta própria.

Um profissional de humanas, o Scrum Master deve ser capaz de mediar conflitos dentro e fora do time, para evitar que os mesmos afetem o cumprimento do objetivo da sprint. Conflitos estes que podem ter como resolução mudanças comportamentais, culturais e até técnicas muito fortes dentro e fora do time, sendo um agente de mudança organizacional.

Um profissional de exatas, o Scrum Master deve acompanhar de perto métricas de produtividade do time como Lead Time, Cycle Time, Velocity, Story Points, Work in Progress e muito mais, para garantir que qualquer desvio nos padrões aceitáveis seja corrigido o mais rápido possível sem afetar o objetivo da sprint. Métricas estas que podem ser coletadas e mensuradas a partir de diversas ferramentas online e offline, tendo o Scrum Master a responsabilidade de usar e propor o que for mais adequado ao contexto do time.

Junto ao Time de Desenvolvimento, cabe ao Scrum Master promover uma cultura Lean de desenvolvimento de software, dentro do que prescreve o Scrum e dentro dos princípios do Manifesto Ágil.

Junto ao Product Owner, o Scrum Master compartilha da liderança ágil do time (mas jamais chefia ou gerência), sendo um mentor do P.O. no que tange métodos ágeis e auxiliando-o na comunicação com o restante da empresa e na tradução da linguagem de negócio com os técnicos e vice-versa.

Junto aos demais Stakeholders da empresa, o Scrum Master é o embaixador ágil que circula e comunica como o Scrum funciona, ajudando a empoderar Product Owners e Desenvolvedores, função esta primordial para o sucesso de qualquer transformação ágil.

Além disso, tal como não existem duas pessoas iguais no mundo, não existem dois Scrum Masters iguais. Considerando este básico que permeia a função, uma infinidade de outras competências e responsabilidades podem surgir conforme a necessidade e contexto de cada projeto/organização, cabendo ao Scrum Master ter o discernimento de assumir ou não tais responsabilidades para si, desde que sempre blindando o básico do seu papel tal qual descrito no Guia do Scrum.

Independente do que compõe o rol completo de atividades do mesmo, a existência e presença constante deste papel dentro de cada Time Scrum das organizações ágeis não pode, sob hipótese alguma, ser omitido. Quando não há a possibilidade de ter um profissional dedicado a esta função, em último caso recomenda-se que um membro do time funcione como Scrum Master part-time, além de suas outras atribuições.

 

 

 

Sobre o Autor

 

Luiz Fernando Duarte Junior

Agile Coach no Agibank, autor do blog LuizTools e programador nas horas vagas.

Autor dos livros:

 

 

 

 

 

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