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Cada vez mais as atividades estão interligadas, as soluções estão mais complexas pelo número de componentes e pessoas que se conectam numa atividade ou trabalho. O trabalho em grupo é cada vez mais crítico para a conclusão com sucesso de projetos.

Afinal o que é um grupo? Como podemos definir um grupo?

Podemos dizer que  grupo são pessoas conectadas para atingir um objetivo? Seria esta uma boa definição?

Vejamos o que alguns autores dizem:

Segundo Pichon-Rivière pode-se falar em grupo, quando um conjunto de pessoas movidas por necessidades semelhantes, se reúnem em torno de uma tarefa específica. Num cumprimento de desenvolvimento das tarefas, deixam de ser um amontoado de indivíduos, para cada um assumir-se enquanto participante de um grupo com objetivo mútuo.

Segundo Fela Moscovici o grupo não é a simples soma de indivíduos e comportamentos individuais. O grupo assume uma configuração própria que influi nos sentimentos e ações de cada um.

James Davis em seu livro  `A produção do grupo´ diz que um grupo é um conjunto de pessoas entre as quais existe um conjunto observável ou definível de relações e que não apenas exercem influência mutua, mas também respondem a influências externas.

Nestas definições observamos algumas palavras-chave: necessidades semelhantes, objetivo mútuo, conjunto observável de relações, influências internas de sentimentos e ações, e influências externas.

Assim um grupo forma-se na sua relação com uma tarefa e um objetivo, e adquire contorno próprio na medida das interações entre os seus membros.

Estas pessoas podem  ter  trabalhado juntas antes, podem estar se encontrando  pela primeira vez, podem ter concretizado bons resultados ou vivenciado crises, dificuldades e problemas. Desta forma todas vêm para um trabalho com algum passado, algumas expectativas e desejos.

Assim começa uma equipe num projeto novo.  O fato de terem trabalhado juntos anteriormente, não muda a circunstância de estarem numa situação nova e possivelmente, com pessoas diferentes. Isto faz apenas um novo começo.

O que faria a experiência do trabalho em grupo ser produtiva e prazerosa para os seus membros?

Segundo o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi  a experiência ótima, baseada no conceito de fluxo energético, é um estado no qual as pessoas estão tão envolvidas numa atividade que nada mais importa; a experiência por si só é tão prazerosa que a pessoa irá realizá-la mesmo com grande custo, por uma questão pura de fazê-lo.

Sintetizando as palavras de Csikszentmihalyi (1990) a experiência depende da maneira como se investe a atenção, que, por sua vez, está relacionada com os objetivos e  intenções, os quais surgem na consciência sempre que uma pessoa está ciente de desejar algo ou querer realizar alguma coisa.

Conforme Csikszentmihalyi (1990), quando o grupo tem um propósito comum e canais de comunicação abertos, quando ele gradualmente expande as oportunidades de ação num ambiente de confiança, então a vida nele se torna um prazeroso fluxo de atividade. Seus membros irão espontaneamente focar sua atenção no relacionamento do grupo e numa certa extensão se esquecerão de si mesmos, de seus objetivos divergentes, por uma questão de vivenciar o momento, de pertencer a um sistema mais complexo que liga diferentes pessoas a um objetivo unificado.

Mas o que faz as pessoas estarem assim envolvidas?

O objetivo externo da tarefa estar alinhado com seus objetivos internos, ou seja, aquele trabalho proposto deve fazer sentido para a vida do indivíduo,  ser coerente com suas crenças.

Assim, como líderes de equipe, quando estamos iniciando qualquer projeto devemos sempre mostrar qual o objetivo do que está sendo feito e entender ou ajudar os membros da equipe a perceberem que sentido este trabalho tem para eles, onde está sua realização, mas a realização interna e verdadeira, que vem da própria pessoa, não os rótulos sociais aceitáveis.

No estudo sobre o que viabiliza uma ótima experiência, Csikszentmihalyi (1990) sumarizou os seguintes pontos que podem ser aplicados pelas lideranças:

  • A experiência geralmente ocorre quando as tarefas têm  chance de se completar;
  • Deve ser possível a concentração no que se está fazendo;
  • A tarefa empreendida tem objetivos claros, alinhados com os objetivos individuais e fornece feedback imediato. O feedback é importante para saber se os objetivos estão sendo atingidos: caso venham a ocorrer mudanças, deve-se realinhá-los para continuar a manter o grupo envolvido. O feedback positivo reforça a experiência e mais atenção é liberada para lidar com o ambiente exterior e interior;

Neste ambiente de confiança, respeito, valores e objetivos compartilhados ocorre um envolvimento profundo, que coloca em segundo plano as preocupações e outros aspectos desagradáveis da vida. Isso ocorre porque a atividade traz tal foco de atenção que não sobra espaço para outras informações na mente.

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Bibliografia

  • CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. Flow: the psychology of optimal experience. Harper Perennial: Nova York 1990.
  • DAVIS, James H. Produção do Grupo. São Paulo: EDUSP, 1973.
  • MOSCOVICI, Fela. Equipes dão certo: a multiplicação do talento humano. 12ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008.

Sobre a autora

FatimaPatz

Coach de carreira e liderança de equipes

  • Coach formada pelo Instituto Ecosocial.
  • Gerente de projetos, facilitadora de dinâmicas de grupo, consultora de gestão de mudanças organizacionais.
  • Graduada em Matemática com ênfase em Informática pelo Centro Universitário Fundação Santo André, possui  especialização em Administração de Empresas pela FGV-SP, pós graduada em Dinâmica dos Grupos pela Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos, Faculdade Fato.
  • Participou de cursos e grupos de estudo sobre "Human Dynamics" e cursos vivenciais sobre Comunicação Não Violenta.
  • Possui experiência em cargos executivos e de liderança de equipes por mais de 25 anos.
  • Realiza "quality assurance" e "coaching" para projetos de gestão de mudanças organizacionais.

 

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